Wednesday, 2 April 2014

Metro

A pestilência aromática dos imensos perfumes 
Que ronda o metro, calmio e deambulante, 
Pelas primeiras horas da matina, 
É suficiente para me acalmar. 
 
O ritmo frenético e o silêncio ensurdecedor, 
De quem faz rumo ao seu trabalho, 
Diverte-me, com o seu pulsar carnal e rotineiro, 
Que aparece e desaparece a cada paragem. 
 
Os olhares mórbidos e cansados, 
Afundados num horizonte inexistente, 
Levados pela mecanicidade de um dia a seguir a outro, 
E a outro... E a outro... E a outro... 
 
O burburinho surge em pequenos grupos, 
Aqueles que, pela conveniência dos horários, são criados. 
Geram o único som desta orquestra, 
Acompanhando o incessante apitar das portas. 
 
Sou parte deste pulsar, desta passividade. 
Sou parte desta criação inequivocamente transparente. 
Sou eu, parte de um zumbir humano, 
Parte de um vai e vem contínuo.

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